
Durante décadas, os grandes desfiles de moda transformaram as passarelas em verdadeiros espetáculos. Nesse cenário, a Victoria’s Secret ocupou um espaço de destaque e criou um dos eventos mais reconhecidos da indústria da moda. Música, celebridades, cenários grandiosos e modelos famosas ajudaram a construir uma identidade própria para o desfile.
Entretanto, o mercado mudou. Ao mesmo tempo, o comportamento do público também mudou. Além disso, as redes sociais modificaram a maneira como as marcas apresentam seus produtos e conversam com os consumidores. Consequentemente, o tradicional formato de desfile perdeu parte do impacto que conquistava no passado.
O auge dos grandes desfiles
Durante os anos de maior popularidade, o Victoria’s Secret Fashion Show funcionava como um grande evento internacional. Primeiramente, a marca reunia algumas das modelos mais conhecidas do mundo. Depois, acrescentava apresentações musicais, figurinos elaborados e cenários cuidadosamente produzidos.
Além disso, o evento gerava enorme repercussão na imprensa. Por isso, muitas modelos ganharam ainda mais reconhecimento após participarem da apresentação. Da mesma forma, artistas convidados aproveitavam a visibilidade para divulgar músicas e projetos.
O espetáculo, portanto, ultrapassava os limites de uma simples apresentação de lingerie. Na verdade, a Victoria’s Secret transformava a passarela em entretenimento. Assim, o público acompanhava não apenas as coleções, mas também toda a experiência criada ao redor delas.
Quando o modelo começou a perder força
Com o passar dos anos, porém, o público começou a questionar alguns elementos associados aos grandes desfiles. Enquanto isso, novas discussões sobre diversidade, representatividade e padrões de beleza ganharam espaço.
Nesse sentido, muitas pessoas passaram a considerar limitado um modelo que valorizava um padrão corporal muito específico. Além disso, consumidores começaram a exigir que as marcas apresentassem diferentes corpos, estilos, identidades e formas de beleza.
Consequentemente, o antigo formato encontrou dificuldades para manter a mesma relevância cultural. Ainda assim, o problema não surgiu de uma única causa. Pelo contrário, diferentes transformações sociais, comerciais e digitais contribuíram para essa mudança.
A transformação do comportamento do consumidor
As redes sociais também alteraram completamente a relação entre marcas e consumidores. Antes, grandes eventos dependiam principalmente da televisão, das revistas e dos veículos tradicionais para alcançar milhões de pessoas.
Hoje, entretanto, uma marca consegue apresentar uma coleção diretamente ao público. Instagram, TikTok, YouTube e outras plataformas permitem que empresas criem conteúdos diariamente.
Além disso, os consumidores participam das conversas. Eles comentam, compartilham, criticam e recomendam produtos em tempo real. Dessa maneira, a comunicação deixou de seguir apenas um caminho entre marca e público.
Por outro lado, os grandes desfiles continuam capazes de gerar impacto. Contudo, as marcas precisam encontrar maneiras diferentes de conectar o espetáculo com as expectativas atuais.
A questão da representatividade
Outro ponto importante envolve a representatividade. Durante muito tempo, a indústria da moda trabalhou com padrões bastante restritos. Entretanto, essa realidade começou a mudar.
Atualmente, o público encontra modelos com diferentes características físicas, idades e estilos em campanhas e produções de moda. Assim sendo, marcas que desejam permanecer relevantes precisam acompanhar essa transformação.
No caso da Victoria’s Secret, as críticas relacionadas à representação contribuíram para o debate sobre o posicionamento da empresa. Por consequência, a marca precisou repensar sua comunicação e buscar uma identidade mais alinhada ao novo cenário.
Ainda mais, a mudança não envolve apenas colocar diferentes modelos na passarela. Ela também exige uma transformação na maneira como a empresa constrói seus produtos, campanhas e mensagens.
O impacto da era digital
A internet também tornou o conceito de desfile muito mais amplo. Atualmente, uma apresentação pode acontecer em diferentes formatos e alcançar pessoas de diversos países simultaneamente.
Por exemplo, uma marca pode produzir vídeos curtos, bastidores, entrevistas e conteúdos exclusivos para as redes sociais. Além disso, influenciadores podem apresentar produtos diretamente aos seus seguidores.
Dessa forma, o desfile tradicional deixou de ser a única maneira de criar desejo em torno de uma coleção. Ao contrário, as marcas podem desenvolver narrativas durante todo o ano.
Por isso, muitos especialistas observam uma mudança no papel das passarelas. Em vez de depender exclusivamente de um grande evento anual, as empresas podem criar experiências constantes.
A Victoria’s Secret diante das mudanças
A trajetória da Victoria’s Secret representa bem essa transformação. Inicialmente, a marca construiu uma imagem extremamente associada ao glamour, à sensualidade e aos grandes espetáculos.
Posteriormente, as mudanças culturais e comerciais pressionaram a empresa a rever sua estratégia. Nesse contexto, a marca passou a experimentar novas formas de comunicação e diferentes propostas para seus desfiles.
Além do mais, a empresa precisou considerar um consumidor mais atento às questões sociais. Portanto, o desafio passou a envolver não apenas vendas, mas também identidade e posicionamento.
Ao mesmo tempo, a força histórica da marca continua relevante. O nome Victoria’s Secret ainda possui grande reconhecimento internacional. Logo, a empresa tem uma base importante para reconstruir sua relação com o público.
O fim de uma era?
Falar sobre a queda dos desfiles tradicionais não significa necessariamente falar sobre o desaparecimento das passarelas. Na realidade, o cenário aponta para uma transformação.
Primeiramente, os desfiles continuam importantes para a construção de imagem. Depois, eles podem gerar conteúdos para diferentes plataformas. Finalmente, podem funcionar como experiências capazes de unir moda, música, cultura e entretenimento.
Porém, o formato precisa acompanhar seu tempo. Caso contrário, existe o risco de transformar um evento originalmente inovador em uma experiência distante das expectativas do público atual.
Diante disso, a indústria começa a buscar um equilíbrio entre tradição e inovação. De um lado, existe o valor histórico dos grandes espetáculos. De outro, existe a necessidade de representar uma sociedade cada vez mais diversa e conectada.
O futuro das passarelas
O futuro dos desfiles provavelmente combinará experiências presenciais e digitais. Nesse cenário, as marcas poderão utilizar tecnologia, redes sociais, transmissões ao vivo e conteúdos interativos para ampliar o alcance das apresentações.
Além disso, a diversidade deve continuar ocupando espaço importante. Consequentemente, empresas que compreenderem as novas expectativas poderão criar eventos mais conectados com seus consumidores.
Por fim, a queda do modelo tradicional não representa necessariamente o fim do espetáculo. Pelo contrário, ela pode abrir espaço para novas possibilidades criativas.
Conclusão
A história da Victoria’s Secret demonstra como a indústria da moda acompanha as transformações da sociedade. Assim, aquilo que funcionava perfeitamente em determinada época pode perder força quando os hábitos e valores do público mudam.
Em resumo, os grandes desfiles não desapareceram porque deixaram de ser interessantes. Principalmente, eles enfrentaram um cenário no qual o consumidor passou a buscar diversidade, proximidade, autenticidade e novas experiências.
Portanto, o futuro das passarelas dependerá da capacidade das marcas de evoluir. Sobretudo, empresas que conseguirem preservar o glamour sem ignorar as mudanças culturais poderão transformar antigos formatos em experiências novamente relevantes.
Por fim, o caso Victoria’s Secret mostra que a moda nunca permanece parada. Pelo contrário, ela se reinventa constantemente. E, justamente por isso, a queda dos desfiles tradicionais pode representar não apenas o encerramento de uma era, mas também o começo de uma nova fase para os grandes espetáculos de moda.




