Victoria’s Secret
Como as críticas à falta de diversidade transformaram um dos desfiles mais famosos da moda

Um espetáculo que marcou gerações
Durante muitos anos, o desfile da Victoria’s Secret representou um dos eventos mais aguardados da indústria da moda. Afinal, a marca conquistou milhões de espectadores com produções grandiosas, performances musicais e modelos conhecidas mundialmente. Além disso, o evento ajudou a fortalecer a identidade da empresa e influenciou tendências em diversos países.
Entretanto, o mercado da moda passou por mudanças profundas. Aos poucos, consumidores começaram a questionar padrões estéticos extremamente restritivos. Como resultado, o desfile passou a receber críticas cada vez mais intensas. Consequentemente, a empresa precisou reavaliar sua estratégia de comunicação e sua relação com o público.
O crescimento das críticas
Inicialmente, a Victoria’s Secret construiu sua imagem com base em um padrão de beleza bastante específico. Em geral, as modelos apresentavam características físicas semelhantes, enquanto diferentes tipos de corpos, idades e perfis permaneciam praticamente ausentes.
Por esse motivo, muitos consumidores passaram a considerar que a marca não representava a diversidade existente na sociedade. Além disso, especialistas apontaram que essa abordagem reforçava expectativas pouco realistas sobre aparência física. Ao mesmo tempo, movimentos sociais ampliaram o debate sobre inclusão, autoestima e representatividade.
Dessa forma, a pressão aumentou rapidamente. Não apenas clientes manifestaram insatisfação, como também profissionais da moda, jornalistas e influenciadores passaram a cobrar mudanças mais significativas.
Diversidade tornou-se prioridade
Enquanto as críticas cresciam, outras marcas adotavam campanhas mais inclusivas. Por outro lado, consumidores demonstravam preferência por empresas capazes de representar diferentes biotipos, etnias, identidades e estilos de vida.
Assim, a diversidade deixou de ser apenas uma tendência. Na verdade, ela passou a representar uma expectativa do mercado. Consequentemente, empresas que ignoravam essa transformação enfrentavam dificuldades para manter a mesma conexão com seus consumidores.
Além disso, o avanço das redes sociais ampliou a visibilidade dessas discussões. Hoje, qualquer campanha recebe avaliações praticamente instantâneas. Portanto, decisões relacionadas à inclusão passaram a influenciar diretamente a reputação das marcas.
O cancelamento do desfile anual
Diante desse cenário, a Victoria’s Secret decidiu interromper seu tradicional desfile anual. Embora diversos fatores comerciais também tenham contribuído para essa decisão, as críticas relacionadas à falta de diversidade exerceram um papel importante nesse processo.
Enquanto isso, a audiência televisiva diminuía ano após ano. Da mesma maneira, as vendas enfrentavam desafios diante da crescente concorrência. Assim, a empresa concluiu que precisava reformular sua estratégia para acompanhar as novas expectativas do mercado.
Consequentemente, o cancelamento simbolizou uma mudança significativa dentro da indústria da moda, mostrando que tradição, sozinha, já não garantia sucesso permanente.
Mudanças na estratégia da marca
Posteriormente, a Victoria’s Secret iniciou um processo de transformação. Em vez de manter exclusivamente o antigo conceito, a empresa passou a investir em campanhas com maior diversidade de modelos, diferentes histórias de vida e maior representatividade.
Além disso, novas embaixadoras passaram a integrar os projetos da marca. Dessa maneira, o objetivo tornou-se construir uma comunicação mais próxima da realidade de seus consumidores.
Ao mesmo tempo, a empresa buscou fortalecer valores relacionados à inclusão, ao respeito e à pluralidade. Ainda que parte do público permanecesse crítica, essas iniciativas demonstraram uma tentativa concreta de reposicionamento.
O retorno em um novo formato
Depois de alguns anos, a Victoria’s Secret apresentou novamente um evento inspirado em seu tradicional desfile. No entanto, dessa vez, a proposta buscou refletir uma visão mais ampla da beleza feminina.
Em vez de repetir exatamente o formato anterior, a empresa incorporou maior diversidade de corpos, etnias, perfis profissionais e experiências pessoais. Além disso, procurou destacar diferentes trajetórias, ampliando o conceito de representação dentro da moda.
Assim, o retorno mostrou que o mercado havia mudado significativamente. Afinal, consumidores passaram a valorizar autenticidade tanto quanto glamour.
A influência sobre toda a indústria
As mudanças envolvendo a Victoria’s Secret produziram impactos que ultrapassaram a própria marca. Desde então, diversas empresas passaram a investir com mais intensidade em campanhas inclusivas.
Por exemplo, tornou-se mais comum encontrar modelos plus size, pessoas com deficiência, diferentes faixas etárias e variadas origens culturais em campanhas publicitárias. Consequentemente, a moda começou a refletir uma parcela maior da diversidade presente na sociedade.
Além disso, consumidores passaram a reconhecer empresas que demonstram compromisso com inclusão, representatividade e responsabilidade social.
A importância da representatividade
Hoje, representar diferentes perfis não significa apenas atender a uma tendência. Pelo contrário, essa prática fortalece a identificação entre marcas e consumidores.
Quando pessoas conseguem se enxergar nas campanhas publicitárias, a comunicação torna-se mais próxima, mais humana e mais autêntica. Da mesma forma, a autoestima e o sentimento de pertencimento tendem a aumentar.
Portanto, investir em diversidade representa uma estratégia que beneficia tanto o público quanto as empresas.
Conclusão
A trajetória da Victoria’s Secret demonstra como o mercado evolui constantemente. Embora o desfile tenha se tornado um símbolo da moda internacional durante décadas, as mudanças culturais exigiram novas formas de comunicação.
Assim, as críticas relacionadas à falta de diversidade contribuíram para uma profunda transformação na identidade da marca. Posteriormente, o retorno do evento em um formato renovado evidenciou a tentativa de acompanhar uma sociedade que valoriza inclusão, autenticidade e representatividade.
Por fim, esse caso mostra que empresas capazes de ouvir seus consumidores, adaptar suas estratégias e refletir a diversidade do mundo contemporâneo aumentam suas chances de permanecer relevantes ao longo do tempo.



